Na verdade o que todo ser humano
deseja é ser feliz. E a criança, em especial, precisa de toda atenção para seu
desenvolvimento psicomotor e social, mas é, no caso do abuso sexual, subjugada
e humilhada pelos seus cuidadores.
Das pessoas que deveria receber atenção,
carinho e proteção, recebe desprezo e humilhação. Mas para onde ir se o/a
agressor/a muitas vezes é o pai, a mãe, o padrasto, a madrasta, o tio, a tia, é
alguém de sua família, do seu convívio social?
O abuso sexual é um problema
social e tem
maltratado esses pequenos seres humanos. A criança abusada sexualmente sofre um trauma e reage de diferentes maneiras e, por conta dos traumas, algumas crianças passam por processo regressivo, outras ficam com olhar perdido sem direção, não conseguem avançar em suas vidas e, dependendo da falta de cuidados, pode tornar-se um adulto problemático. E o pior: um adulto infeliz que, possivelmente, será o próximo abusador de crianças. É assim que as pesquisas apontam: a maioria dos abusadores sofreu abuso sexual na infância. A criança abusada sexualmente precisa de cuidados.
maltratado esses pequenos seres humanos. A criança abusada sexualmente sofre um trauma e reage de diferentes maneiras e, por conta dos traumas, algumas crianças passam por processo regressivo, outras ficam com olhar perdido sem direção, não conseguem avançar em suas vidas e, dependendo da falta de cuidados, pode tornar-se um adulto problemático. E o pior: um adulto infeliz que, possivelmente, será o próximo abusador de crianças. É assim que as pesquisas apontam: a maioria dos abusadores sofreu abuso sexual na infância. A criança abusada sexualmente precisa de cuidados.
O fato de punir o abusador é
correto, porém não soluciona o problema da criança. Ela precisa ser acompanhada
até superar o trauma do abuso e retornar o seu ciclo de vida normalmente, mas,
infelizmente, não é assim que acontece. As crianças abusadas não são
assistidas, não são acompanhadas por várias questões: falta de pessoal
qualificado na rede pública de saúde, geralmente são crianças pobres que não
podem pagar um tratamento qualificado em instituições privadas e ficam a mercê
do serviço público que possui uma demanda de diferente ordem e que geralmente
não consegue acompanhar, de fato, a criança abusada sexualmente em suas reais
necessidades.
O que habitualmente ocorre na saúde pública brasileira é uma
escolha de casos de acordo com seu nível de agravantes e os riscos de vida: são
os chamados prioritários. As doenças psicológicas não matam rapidamente como os
outros tipos de doenças e por falta de estrutura, principalmente na região
nordeste do país, mais precisamente no interior da Bahia, na cidade de Euclides
da Cunha, esse caso não foge da regra geral. As crianças abusadas sexualmente
tornam-se caso de justiça e 11 depois são atendidas por outros profissionais
(psicólogos, psiquiatras e mais), pois esses profissionais não ficam comumente
na cidade e não dão continuidade ao tratamento. E, por falta de um
acompanhamento mais elaborado e contínuo, as crianças abusadas sexualmente
passam por uma série de problemas e, na maioria das vezes, se veem desprovidas
de assistência especializada e continuam com suas problemáticas sem solução.
1.1 Conceituando o abuso sexual
O abuso sexual de menores corresponde a
qualquer ato sexual abusivo praticado contra uma criança ou um adolescente. É
uma forma de abuso infantil. Embora geralmente o abusador seja uma pessoa
adulta, pode acontecer também de um adolescente abusar sexualmente de uma
criança. Num sentido restrito, o termo abuso sexual corresponde ao ato sexual
obtido por meio de violência, coação irresistível, chantagem, ou como resultado
de alguma condição debilitante, tal como o estado do sono, de excessiva
sonolência ou torpeza e/ou o uso de bebidas alcoólicas e/ou de outras drogas,
anestesia, hipnose, dentre outros.
O Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei
8.069, de 13 de julho de 1990, dispõe sobre a proteção integral à criança e ao
adolescente. Define que as crianças são sujeitos de direitos nos Artigos abaixo
descritos: Art. 2º - Considera-se criança, para os efeitos desta Lei, a pessoa
até doze anos de idade incompletos, e adolescentes aquela entre doze e dezoito
anos de idade. Parágrafo único: -Nos casos expressos em lei, aplica-se
excepcionalmente este Estatuto às pessoas entre dezoito e vinte e um anos de
idade. Art. 3º - A criança e o adolescente gozam de todos os direitos
fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de
que trata esta Lei, assegurando-se-lhes, por lei ou por outros meios, todas as
oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico,
mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade.
Art. 4º - É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do Poder
Público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos
referentes à vida, à saúde, à alimentação. à educação, ao esporte, ao lazer, à
profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à
convivência familiar e comunitária. As Leis de amparo e proteção para a criança
existem. Porém sabe-se que a criança e o adolescente na sociedade atual vêm
tendo a maioria dos seus direitos negados, de maneira que é grande o número de
crianças que sofre várias formas de 12 abuso.1 O abuso ou os maus-tratos em
relação à criança constituem todas as formas de tratamento doentio físico e/ou
emocional, abuso sexual, negligência ou tratamento negligente, exploração
comercial ou outro tipo de exploração, resultando em danos reais ou potenciais
para a saúde, a sobrevivência, o desenvolvimento ou a dignidade da criança no
contexto de uma relação de responsabilidade, confiança ou poder.2 O abuso
sexual é também definido como atos em que esse responsável usa a criança para
obter gratificação sexual.3 Infelizmente, a sociedade ainda não tem consciência
da amplitude dos maus-tratos contra as crianças. Com muita frequência, essas
pequenas vítimas de crimes ultrajantes são incapazes de falar sobre ou contra
os autores dos crimes. Então, a raiva e a dor são dirigidas contra elas mesmas
ou contra outras pessoas próximas. É evidente que o abuso sexual na infância
traz, para o abusado, consequências físicas, psicológicas ou de comportamento e
que tais consequências irão acompanhá-lo, se não for tratado com cuidado, por
toda sua existência humana. Dados do Relatório Mundial sobre Violência e Saúde4
mostram que o número de crianças que morrem a cada ano devido ao abuso, provém
inicialmente dos atestados de óbito ou dados relacionados à mortalidade.
Segundo a Organização de Saúde, houve uma estimativa de 57 mil mortes
atribuídas a homicídios entre crianças com idade inferior a 15 anos, em 2000,
no mundo. As estimativas globais de homicídios infantis sugerem que bebês e
crianças muito jovens estão na faixa de grande risco, com índice para o grupo
de crianças de 0 a 4 anos duas vezes maior que o grupo de crianças de 5 a 14
anos. O abuso do qual trata a Organização de Saúde é o abuso físico, sexual,
emocional e a negligência. No caso do abuso sexual registra que detectar o
abuso sexual infantil requer muita habilidade e familiaridade com indicadores
verbais, comportamentais e físicos de abuso. Muitas crianças revelarão o abuso
para as pessoas que cuidam delas ou outros espontaneamente, embora também possa
haver sinais físicos e comportamentais indiretos.5 Pelos dados acima descritos,
o que se verifica é que as crianças e os adolescentes são presas fáceis para
seus abusadores e violentadores. Existe um silêncio que vem protegendo pessoas
que matam, abusam e violam a legislação vigente. Essa rede de silêncio amplia o
quantitativo de crianças que crescem em ambientes totalmente desfavoráveis para
seu desenvolvimento e toda essa omissão gera uma sociedade cada vez mais
violenta e desprovida de amor ao próximo, diferentemente daquilo que Jesus
ensinou: Amai-vos uns aos outros assim como eu vos amei.6 1.2 Histórico do
abuso sexual na infância no território brasileiro Para conhecer o histórico do
abuso sexual no Brasil, faz-se necessário conhecer um pouco da história da
infância no mundo. Faleiros e Faleiros afirmam que a infância precisa ser relativizada
conforme as classes e os grupos sociais e as maneiras de viver desses
diferentes grupos em seus respectivos contextos sociais. Na Grécia antiga, a
alegria da criança, filha de cidadão, educada no gineceu por meio de mitos,
fábulas e músicas, contrastava com a tristeza do filho do escravo, de quem
ressoava o lamento da venda próxima ou de destino ainda mais cruel. Em Esparta,
o Estado assumia a responsabilidade de educar seus futuros guerreiros em
princípios cívicos e militares logo aos sete anos de idade. A pedagogia
militar, de então, consistia em exercícios físicos realizados até a exaustão,
fome e espancamento. Uma dessas provas, para a elite, consistia em matar um
escravo que fosse encontrado pelas ruas da cidade. Em Atenas, o serviço militar
durava dois anos e somente se iniciava aos 18 anos de idade. Antes disso, a
educação doméstica e em escolas de grandes mestres predominava na vida da
criança de elite. Platão recomendava a educação para a cidadania, desde que
controlada pelos magistrados e membros dos conselhos mais elevados. 7 No
Império Romano, meninos e meninas permaneciam juntos, protegidos por seus
deuses dos lares, até os doze anos de idade. A partir daí, separavam-se: a
eles, tocava a vida pública, o aprimoramento cultural, militar e mundano. A
elas, o Patologias provenientes do abuso sexual na infância A criança abusada
sexualmente na infância poderá desenvolver alguma patologia, e que o abuso
sexual traz para si muitos danos. O seu primeiro11 movimento seria a recusa, o
ódio, o nojo, uma resistência violenta; não, não, não quero, é forte demais,
dói, me deixe! Isso ou algo parecido seria a reação imediata, se não fosse
inibida por um medo intenso. As crianças sentem-se física e moralmente
indefesas; sua personalidade é ainda muito fraca para que protestem mesmo em
pensamento. A força e a autoridade esmagadora do adulto as emudecem e podem até
fazê-las perder a consciência. Mas esse medo, quando 10 Secretaria de Saúde de
São Paulo apud DREZETT, 2002. 11 GABEL, Marceline. Crianças vítimas de abuso
sexual. Tradução Sonia Goldfeder. São Paulo: Summus, 1997. p 50, 61, e 67. 16
atinge o ápice, obriga-as a se submeterem automaticamente à vontade do agressor
e adivinhar seu menor desejo. Obedecer, esquecendo-se completamente de si mesma
e identificar-se com o agressor são alguns dos sintomas, que atingem todas as
esferas de atividade. Os sintomas são, simbolicamente, a concretização, ao
nível do corpo e do comportamento, daquilo que a criança sofreu e de que criou
seu próprio fantasma. A criança viveu uma experiência de violação de seu corpo
e reage, independentemente da idade, de forma somática, que também é o modo
preferencial da criança pequena. O corpo é sentido como profanado; há perda de
integridade física; sensações novas foram despertadas, mas não integradas, a
criança exprime a angústia de que algo se quebrou no interior do seu corpo. Nos
últimos anos, o medo de contrair AIDS é uma obsessão angustiante que se reforça
em exames feitos constantemente. O medo de ter engravidado, seja qual for a
idade da vítima e a natureza do ato cometido, também é confessado com
frequência, causando muita angústia e medo.12 As queixas somáticas são
habituais: mal-estar difuso; impressão de alteração física, persistência das
sensações que lhe foram impingidas, dores nos ossos. Enurese (urinar na cama
involuntariamente) e encoprese (eliminação de fezes, voluntária ou não) são
frequentes, sobretudo nas crianças menores que sofreram penetração anal. As
dores abdominais agudas sem substrato orgânico ocorrem em todas as idades,
sobretudo entre os adolescentes. Do mesmo modo, observam-se rituais de
averiguação e de prevenção, quando crianças colocam em torno da cama objetos
que possam fazer barulho caso alguém se aproxime; certas crianças dormem
completamente vestidas. O despertar angustiado durante a noite também é muito
frequente e se manifesta sob forma de pesadelo. Em geral, ao menos
temporariamente, ocorre o prejuízo das funções intelectuais e criativas. A
criança para de brincar, desinteressa-se dos estudos, fecha-se em si mesma,
torna-se morosa ou inquieta. Tremendamente assustador e terrível o que o abuso
sexual na infância faz às suas vítimas. É um caso específico para uma maior
atenção por parte das autoridades constituídas, bem como para uma maior
divulgação e preparação por 12 GABEL, 1997, p 71 e 103. 17 parte de pais,
professores e sociedade em geral. Sabe-se que é preciso cuidar e proteger as
crianças que sofreram abuso, porém é necessário que as medidas de prevenção
sejam mais eficazes para evitar que crianças passem por todo esse sofrimento,
pois elas pertencem ao Reino dos Céus, conforme consta na Bíblia Sagrada. Para
gerir relações humanas onde o fundamento ético é o cuidado, é preciso pôr em
ação, tornar materializado o amor, experimentar a re-ligação através da
simpatia, reconhecer-se como humano, ampliando a capacidade de percepção e
compreensão através do toque, fazendo da alegria e do riso a manifestação
concreta da felicidade [...]. Gerir relações baseadas na ética do cuidado
também significa apostar na fragilidade humana e abrir-se para a gratuidade da
vida, apostando e querendo desfrutar a quentura produzida entre corpos que se
aquecem.13 Eis a questão: ser ético, cuidar, amar, aquecer e proteger são
palavraschave para a criança ter seu tempo de desenvolvimento respeitado e,
assim, crescer e decidir o que fará do seu corpo, ciente de seus erros e
acertos, e ser capaz de tomar suas decisões. Para Içami Tiba, o projeto
racional de educação é formar cidadãos éticos. Já não basta mais ser cidadão,
precisa ser ético,14 pois o cidadão ético não fará nenhum mal ao seu
semelhante, seja uma criança, seja um jovem ou até mesmo um adulto. Será de sua
formação ética contribuir para a melhoria da sua vida e das pessoas que vivem
em seu entorno. Com certeza a criança que nasce e cresce no seio familiar de
pessoas éticas e comprometidas com o outro, não terá seu corpo violado e
abusado sexualmente por seus cuidadores e, muito menos, por pessoas que
convivem próximas dela. Abordagens de apoio à criança, à família e ao estuprador
com vínculo familiar É de vital importância que a criança abusada sexualmente
tenha uma rede de proteção para ajudar na organização de suas ideias. A família
e a escola precisam saber lidar com diferentes tipos de violência, inclusive a
de abuso sexual. Para que a criança consiga seguir sua vida de maneira
saudável, todos que a rodeiam precisam ter consciência dos distúrbios e
possíveis conflitos que ela possivelmente poderá enfrentar. 13 SILVA, Marta
Norberg da. Cuidado(s) em movimento: a ética do cuidado e a escuta sensível
como fundamento do cuidado do outro. São Leopoldo: Sinodal, 2005, p. 18. 14
TIBA, Içami. Quem ama educa: Formando cidadão ético. São Paulo: Integrare,
2007. p. 49. 18 Torna-se de extrema importância saber que o abuso sexual15 na
infância tem um profundo efeito na vida da vítima, que pode durar por longo
tempo, até mesmo por toda a vida. Observam-se sintomas bastante definidos em
crianças que foram abusadas sexualmente, e estão relacionados ao medo e à
ansiedade: insônia, terror noturno, queixas psicossomáticas diversas, anorexia,
regressão no funcionamento emocional, tais como chupar dedo, roer unha,
enurese. Também se observa o medo de se defrontar com pessoas do sexo oposto
e/ou do mesmo sexo, fobia escolar, medo de agressões físicas. Em algumas
situações, a criança desenvolve uma síndrome de estresse pós-traumático, que se
caracteriza por ataques de pânico, depressão, incapacidade de funcionamento
global, e o medo mórbido de novos ataques. O impacto agudo do abuso sexual é frequentemente
complicado e agravado pela problemática que a crise familiar acaba gerando pelo
descobrimento deste evento, o que é muitas vezes agravado pela remoção da
criança da casa dos pais. O grau do trauma vai depender também da idade e do
desenvolvimento prévio da vítima, da intensidade do abuso, da frequência de
duração e extensão do que lhe aconteceu, como por exemplo, uma penetração
vaginal ou anal é mais traumática do que o toque físico. O grau de apoio que
esta família será capaz de desenvolver também é fundamental na perpetuação da
sequela ou no seu alívio. Dados apontam que o abuso sexual é mais frequente em
meninas, mas os meninos também são abusados sexualmente. No caso de meninas, o
tipo mais frequente é o incesto pai-filha. Apesar de muitos pais fugirem da
obrigação de proteger as crianças, é a família que tem papel fundamental na
orientação para prevenção do abuso sexual. Deve ensinar que só a criança tem
poder para controlar seu corpo, e que ninguém tem o direito de tocá-la, se não
desejar. A criança que sofre o abuso sexual dá sinais de alerta e a mudança,16
repentina de comportamento, pode indicar se uma criança ou um adolescente está
vivendo em situação de violência. Os sinais físicos são mais fáceis de perceber
do que os emocionais. Sinais isolados podem não ter significado, mas é preciso
ficar 15 LARANJEIRA, P.A. Ricardo. Abuso Sexual na Infância. Niterói:
Universidade Federal Fluminense – Centro de Ciências Médicas – Faculdade de
Medicina, 2000. p 34, 38, 39 e 40. 16 PROJETO Criança pede Proteção –
Itapetinga –SP- Brasil, junho/2007. p. 09, 10 e 11. 19 muito atento. A família,
a escola e a comunidade têm um papel muito importante na observação dessas
alterações, listadas a seguir: Indicadores comportamentais da criança/
adolescente: Conduta sedutora; Relatos de agressões sexuais; Dificuldades de adaptar-se à escola; Aversão ao contato físico; Comportamento incompatível com a idade (
regressão); Envolvimento com
drogas; Auto-flagelação, culpabilização; Fuga de casa;
Depressão crônica; Tentativa de
suicídio. Indicadores Físicos: Mudança
brusca de comportamento e humor (não quer comer, comer demais, apatia,
agressividade); Sono perturbado,
pesadelo frequentes, suores, agitação noturna;
Masturbações visíveis e continuadas;
Timidez em excesso; Tristeza ou
choro sem razão aparente; Medo de ficar
sozinha com alguém ou em algum lugar;
Baixa autoestima, estado de alerta constante, dificuldade de
concentração, fuga da realidade;
Interesse precoce por brincadeiras sexuais e /ou erotizadas; Roupas rasgadas ou com manchas de
sangue; Hemorragia vaginal ou
retal; Secreção vaginal ou peniana; Infecção urinária; Dificuldades para caminhar; Gravidez precoce; Queixas constantes de gastrites e dor
pélvica; Hematomas, edemas e escoriações
na região genital e mamária; Infecções/
doenças sexualmente transmissíveis. Existe o chamado complô do silêncio: as
vítimas acham que não serão ouvidas e têm medo de os outros não acreditarem.
Muitas vezes, a comunidade do entorno da criança se omite com receio de ser
envolvida no assunto: é a subnotificação17 que promove e perpetua o ciclo da
violência. tede.est.edu.br/tede/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=392 A criança
abusada sexualmente precisa de cuidados.
Criança abusada sexualmente precisa de
cuidados.
Por anos a fio ela tinha guardado
aquele segredo. Um dia, durante a terapia em grupo no hospital, resolveu
finalmente acabar com aquele silêncio. Tinha então 70 anos, mas não podia mais
se calar. Quando adolescente havia sido abusada sexualmente pelo irmão e, com
medo do noivo descobrir na lua de mel, resolveu contar porque não era mais
virgem. Ela esperava no mínimo um abraço apertado do rapaz, mas em troca
recebeu apenas o desprezo e o fim do noivado. Passou a vida sozinha, com medo
de que outros desmanchassem com ela também
“Ela se sentiu tão acolhida na sessão
que contou toda sua história, embora estivesse num grupo para discutir o
câncer”, conta Alcina de Cássia Meireles, diretora técnica do serviço de saúde
do Núcleo de Psicologia do Hospital Pérola Byington. “Na outra semana ela me
disse o quanto estava aliviada e feliz, por ter compartilhado sua experiência”
A psicoterapia é fundamental para o
tratamento de crianças e adolescentes vítimas de abuso sexual para que não
carreguem este peso e os danos muitas vezes irreversíveis por toda vida. Hoje,
mais da metade dos casos atendidos no Hospital Pérola Byington, em São Paulo,
são de crianças com até 12 anos.
A maioria é de meninas, mas também há
meninos atendidos. “Acredito que seja mais difícil para comunicar estes casos,
porque eles acabam sendo rotulados de gay na escola, o próprio pai tem uma
conduta inadequada, muitos não querem sair de casa e também não querem ir para
um hospital feminino”, afirma Alcina,
Para cada tipo de abuso sofrido,
existem várias modalidades de atendimento. “O apoio emocional especializado é
imprescindível, porque chegam aqui casos muito complicados, acompanhados de
tortura, digo que são sobreviventes da violência, tamanha a brutalidade
sofrida”, afirma o Dr. Jéferson Drezett, diretor técnico do serviço de saúde do
Núcleo de Programas Especiais do Serviço de Atenção Integral à Mulher em
Situação de Violência Sexual do Centro de Referência da Saúde da Mulher do
Hospital Pérola Byington,
A terapia de grupo é uma das técnicas
adotadas e procura proporcionar um ambiente seguro no qual possam ser
discutidos, por meio de jogos dramáticos e outras técnicas de sensibilização,
questões diretamente relacionadas à situação de violência e outros temas.
Os grupos costumam reunir-se semanalmente e são divididos por faixas etárias.
“O tratamento de grupo tem um
resultado fantástico, porque as crianças acabam se apoiando, contam como foi
passar pela delegacia, eles mesmos se confortam na conversa”, diz Alcina de
Cássia Meireles. Segundo a especialista, ainda existe o mito e a confusão de
que terapia é somente um bate-papo. “Não é somente chorar e desabafar, a gente
faz um trabalho científico além do ouvir, porque senão vira só uma conversa”.
Dos 13 psicólogos da equipe do Hospital
Pérola Byington, seis são especializados em violência sexual. A prioridade no
tratamento são as vítimas de abuso, mas também é oferecido apoio psicológico
para alguns familiares que estejam sofrendo com a situação. O atendimento dura
quanto tempo for necessário para a recuperação do paciente. Há casos de jovens
que já fazem terapia há cinco anos no local,

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