MUSIART
Proj. 🦋CASULO Despertando
A IMPORTÂNCIA
A IMPORTÂNCIA DA MÚSICA E DA MUSICOTERAPIA
O PROJETO
Este projeto traça em linhas gerais o que é a música; qual a sua finalidade e importância e, como podemos fazer música. No final deste breve apanhado, trazemos algumas impressões e experiências significativas com o uso da música, culminando com uma breve apresentação da musicoterapia.
O que é a música?
A música é uma língua e pode ser aprendida
como as crianças aprendem qualquer língua:
ouvindo e imitando
(Shinishi Suzuki)
A música é uma forma de linguagem composta de melodia, ritmo e harmonia. É uma tentativa instintiva de externalizar aquilo que parece querer saltar de dentro de nós. Como disse Aldous Huxley, “Depois do silêncio, aquilo que mais aproximadamente exprime o inexprimível é a música”.
Através dela expressamos nossas emoções, percepções (de nós mesmos e do outro), pensamentos, valores, anseios, sonhos, apelos, conceitos, conhecimentos.
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Por ela somos estimulados ao movimento, à brincadeira, à dança, à afetividade e à integração social.
É também um bem cultural, pois, através da música podemos construir e transmitir cultura.
Qual a finalidade e a importância da música?
A música é um excelente meio para a expressão dos sentimentos, para o desenvolvimento da autoestima e do autoconhecimento. É também um poderoso meio de integração social.
Ela sensibiliza, inspira, nos faz transcender.
Trabalha simultaneamente a cognição e as emoções - estimula a inteligência e a imaginação criativa.
Aumenta substancialmente as competências como ouvir, falar e se expressar.
Amplia o vocabulário da língua nativa (trabalhando sistematicamente aspectos relevantes como o ritmo e a melodia da linguagem falada e escrita1) e auxilia no aprendizado de novas línguas2.
Promove a percepção, a atenção, e a discriminação sonora3, trabalhando, assim, a percepção ambiental, a concentração e a memória auditiva.
1 Apresentada na forma escrita, incita à tentativa de correspondência com sua sonoridade, suscitando o prazer pela leitura.
2 Muitas pessoas aprendem um novo idioma apenas pelo constante exercício de cantar em outra língua que não a nativa.
3 A capacidade de selecionar um estímulo sonoro, de analisá-lo, caracterizá-lo e de enumerá-lo.
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Contribui para o desenvolvimento da expressão corporal, que, ao produzir o movimento, gera a orientação espacial, de suma importância no desenvolvimento dos conceitos de tempo, espaço, direção e liberdade.4
Desta forma, a Educação Musical vem a ser um processo dinâmico de constante aprendizado e aperfeiçoamento em todas as áreas alcançáveis pela música dentro do universo escolar5, através da alfabetização musical, da sensibilização auditiva e rítmica, e do domínio de instrumentos musicais simples.
Promover atividades musicais com crianças, pré-adolescentes e adolescentes é atender às suas principais necessidades e interesses, proporcionando, desta forma, um desenvolvimento mais integral de suas potencialidades.
Como podemos fazer música?
Dentro de um contexto de integralidade
No contexto da idade escolar a iniciação musical precisa fazer parte de uma proposta de desenvolvimento mais integral da criança, do pré-adolescente e do adolescente. Ao longo destas faixas etárias, a música, em parceria com as outras ofertas de educação da Escola, se torna uma ferramenta indispensável ao desenvolvimento e ao amadurecimento emocional/afetivo, cognitivo e físico, assim como das relações afetivas.
Com ludicidade e prazer
Através do canto, dos jogos e brincadeiras, do exercício rítmico, e outros meios que propiciam uma criatividade dinâmica, busca-se proporcionar aos estudantes o maior número possível de oportunidades para que aprendam música e dela participem com prazer.
4 Apostila do Curso Superior de Pedagogia da UNOPAR-PR, 2007.
5 Educação básica: educação infantil, ensino fundamental, e ensino médio.
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Formas de trabalho
Com crianças pequenas
Partindo da exploração dos sons do corpo da própria criança, passamos a explorar o som do outro, do ambiente, da natureza, dos animais.
O canto coletivo é estimulado pelo prazer que este proporciona, pelos objetivos alcançáveis com a soma das vozes no trabalho coletivo, pela cooperação, pela socialização, pela criação de vínculos afetivos. Mesma valorização tem o canto individual e/ou a criação musical e apresentações espontâneas ao grupo.
As letras das músicas trabalham de maneira lúdica o esquema corporal, noções de espaço (frente, atrás, laterais), de direção (direita e esquerda), valores (a valorização do eu, do outro, do grupo), datas comemorativas, temas folclóricos, e, também, apelam para a construção de uma cidadania ativa.
A liberdade para a expressão corporal é promovida e incentivada. O brinquedo cantado, o jogo e as brincadeiras fazem parte das atividades. A poesia também encontra participação nas atividades por valorizar a voz, a expressividade e a sonoridade. Os jogos rítmicos também são muito bem aceitos pelas crianças.
A utilização e a confecção de instrumentos (pelas próprias crianças) para emprego nas atividades é uma parte muito importante no processo de experimentar e criar música.
Demais idades6
Para a objetivação, o desenvolvimento e o refinamento da atenção e da memória auditiva, assim como na produção do silêncio, temos trabalhado com atividades que exigem acuidade auditiva (capacidade acentuada de discriminar estímulos sonoros).
6 Importa dizer que a iniciação musical em qualquer faixa etária anda pelos mesmos caminhos que na educação infantil, excetuando-se o fato de que as experiências e as aplicações possuem linguagem própria e adequada a cada faixa etária.
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Como parte deste processo temos proposto atividades de relaxamento físico e de controle respiratório (atividades estas consideradas fundamentais para a arte do cantar e do viver bem).
A atividade musical em grupo (em especial o canto7) é desenvolvida de forma cooperativa, estimulando e valorizando a coletividade, a sociabilidade, a responsabilidade e a cooperação; promovendo, assim, o desenvolvimento dos aspectos emocionais/afetivos, cognitivos, físicos e também sociais.
Em todas as atividades as características individuais e do grupo são respeitadas assim com suas preferências, curiosidades e contribuições - o que vem a guiar um trabalho mais específico voltado ao atendimento de suas necessidades e expectativas para êxito deste processo.
O primeiro instrumento indicado para a iniciação musical é a flauta doce. A flauta doce é um instrumento muito propício para a introdução à leitura, à escrita e à execução musical. Seu som é suave e de fácil emissão, a digitação segue uma lógica simples e natural proporcionando resultado consistente num curto período, além de ser um instrumento de baixo custo, acessível a grande parte da população.
Experiências e impressões
Narrativa de experiências da Educação Musical Infantil:
“Rebeca (1 ano) se aproximou e me deu um abraço carinhoso enquanto tocava violão e cantava com as crianças. Quando ouviu a música na flauta, aproximou-se e colocou sua boquinha na outra extremidade oralizando um ‘uuu’. Tive que parar de tocar. Percebendo o silêncio, pegou a flauta e colocou na boca, pegando também o livro com a partitura e olhando para
7 O canto tem destaque na iniciação musical porque produz a coordenação entre o movimento vocal e respiratório unido ao exercício da memória. É sabido que a respiração adequada é indispensável para uma vida saudável (diversas áreas da saúde dão prioridade ao zelo pelo seu correto funcionamento - desde otorrinolaringologistas à praticantes de Pilates e Yoga, etc., fazem da respiração diafragmática uma prioridade). No canto, a inversão da respiração clavicular para a respiração diafragmática constitui nada menos que um terço da técnica vocal. Respirar bem é garantir a reposição de ar com oxigênio desde a base dos pulmões, eliminando o “ar morto” depositado, o que significa ter uma voz potente, agradável e livre de lesões.
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ele, tentava tocar. Tentou de outra forma produzir música: pegou o bocal da flauta e passou a encostar na partitura. Ainda insistiu em tocar (oralizando ‘uuu’), mas mostrou perceber que o som não era o mesmo. Enfim, colocou a flauta em minha boca e o livro no meu colo, pedindo que eu tocasse para ela”.
“Certo dia fiz um visual com as sete notas musicais no Pentagrama. Apresentei-o junto com a Clave de Sol, como sendo a mãe das notinhas, explicando, apresentando, mostrando o som de cada uma (sons mais graves ou agudas), respondendo às curiosidades. Eles amaram. Foi um sucesso! Em meia hora de aula, saíram solfejando as notas. João Pedro (3 anos) me perguntou quem era o papai das notinhas. Surpresa com a pergunta, respondi ser o Pentagrama, mostrando-o. Na próxima semana, fomos ao pátio pular Amarelinha. No lugar dos números desenhei as notinhas. Na sequência entreguei giz para que cada um pudesse desenhar notinhas também. J. P. me chamou para ver que ele havia desenhado o papai, a mamãe, e as notinhas... Fiquei emocionada vendo a capacidade de aprendizado, de memória, e também da importância que as crianças dão a este aprendizado”.
“Pedro (5 anos) também me surpreendeu. No ano anterior ensinei para a turma dele uma música com as sete notas musicais e fiz um visual do qual elas faziam parte. No ano seguinte, quando ele chegou à sala e vendo o visual das notas, correu até lá e disse: - Olha profe! Apontando para cada uma das notas, as solfejou. Meu coração saltou de alegria quando me respondeu que ainda ‘lembrava daquela vez que eu tinha ensinado’.
Impressões, percepções, contentamentos
Sem continuarmos a descrever nossas experiências ao longo dos anos de trabalho e com todas as faixas etárias possíveis, gostaríamos de dizer ainda que percebemos que a música causa atração/curiosidade, motivação/relaxamento, e boas expectativas nas pessoas. Estes sentimentos facilitam o aprendizado em qualquer área.
Tivemos, no decorrer do nosso trabalho, algumas crianças e adolescentes com atitudes agressivas, e com dificuldade de aceitação própria (e do outro) que, com o aprendizado e o desenvolvimento das atividades musicais se perceberam melhor e se mostraram mais confiantes, tranquilas e afetivas.
O que mais nos deixa satisfeitos como resultado do trabalho com a música é a transformação e o aprofundamento das relações afetivas e o espírito de parceria que desenvolvemos com os alunos - a maioria deles são “promovidos” de alunos a amigos!
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